O que torna o marketing no agronegócio tão estratégico?

O marketing no agronegócio exige inovação, relacionamento e dados. Veja como marcas se destacam e conquistam produtores!

Ane Lima

em 14 de fevereiro de 2025

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    Como funciona o marketing no agronegócio?

    O marketing no agronegócio envolve estratégias específicas para promover produtos, serviços e tecnologias voltadas ao setor agrícola.

    Ele abrange desde a comunicação com produtores rurais e distribuidores, até ações para engajar consumidores finais.

    Mulher engenheira agrônoma e agricultora na cultura da soja praticando o marketing no agronegócio.

    Os líderes de marketing no agronegócio têm uma visão estratégica e altamente orientada a dados, combinando conhecimento profundo do setor com inovação tecnológica. Imagem: Reprodução/ iStock

    Suas estratégias podem incluir o marketing de conteúdo, participação em feiras do setor, uso de influenciadores do agro, redes sociais segmentadas e publicidade em veículos especializados.

    Além disso, o marketing no agronegócio se apoia fortemente em dados de mercado, sazonalidade e inovações tecnológicas para criar campanhas eficazes.  

    Como pensam os líderes de grandes empresas de marketing no agronegócio?

    Diferente de mercados mais voláteis, o agro é movido por relações de longo prazo. Líderes sabem que a fidelidade do produtor rural não se conquista apenas com campanhas publicitárias, mas com consistência, credibilidade e entregas reais.

    Isso se reflete em estratégias de marketing que vão além da venda, focando no pós-venda, suporte técnico e construção de comunidade. 

    Embora o setor agropecuário tenha forte tradição no contato presencial, os líderes do marketing moderno investem em uma abordagem omnichannel, unindo o digital e o físico. 

    Mulher negra do setor do agronegócio mexendo em um notebook frente a um ponto de venda.

    O agromarketing utiliza canais de comunicação especializados, como rádios agrícolas, mídias digitais, eventos técnicos e influenciadores do setor para alcançar seu público. Imagem: Reprodução/ iStock

    Aplicativos, plataformas de e-commerce, marketplaces e redes sociais passaram a ser essenciais para engajar e educar o público agro, com conteúdos técnicos, comparativos de produtos e até simuladores de performance.

    A Jacto, por exemplo, fabricante brasileira de máquinas agrícolas, tem sido pioneira no uso da tecnologia para engajar o produtor rural. A marca desenvolveu o Jacto Connect, um sistema de telemetria que permite o monitoramento remoto das máquinas, garantindo maior eficiência operacional.

    Para divulgar a inovação, a empresa investiu em uma estratégia digital forte, com treinamentos online, vídeos educativos e um portal de relacionamento que mantém um contato próximo com os agricultores.

    Já a Basf inovou no marketing do agronegócio ao criar o reality show “Cultivando Histórias”, transmitido pelo YouTube e por canais rurais, como no episódio abaixo:

    O programa acompanhava a rotina dos produtores e mostrava como as soluções da Basf impactavam o dia a dia no campo. A estratégia fortaleceu a conexão emocional com os clientes e reforçou o posicionamento da marca como parceira do agro.

    Retiramos alguns insights do “Anuário 2024: Melhores Cases Marketing Agro – Estudos de mercado Macfor” para entender na prática como as marcas estão se posicionando frente ao setor para vender mais e continuar relevantes no nicho.

    Vamos nos aprofundar agora na história de uma empresa que é conhecida pelo imaginário coletivo brasileiro – a Ford, que conseguiu transformar sua relação com o agronegócio em um diferencial competitivo, indo além da venda de veículos e construindo uma experiência de marca forte e duradoura. 

    Ford e o agronegócio: uma estratégia de marketing e fidelização 

    A Ford tem uma longa trajetória de conexão com o agronegócio, que remonta aos anos 1970, quando o setor rural passou a demandar veículos mais potentes e robustos. 

    Atualmente, essa relação se mantém forte, sendo o agronegócio um dos principais impulsionadores das vendas de picapes da marca no Brasil.

     

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    Em 2023, aproximadamente 40% das picapes vendidas no país foram destinadas ao setor agropecuário, consolidando a Ford como uma das líderes nesse mercado.  

    O grande diferencial da fabricante foi compreender que as necessidades dos consumidores rurais vão além do trabalho no campo. Antes vistas apenas como ferramentas de trabalho, as picapes passaram a ser posicionadas também como veículos de lifestyle, oferecendo conforto, tecnologia e versatilidade.

    Modelos como a Ranger foram promovidos não apenas por sua resistência e potência, mas também como opções sofisticadas para o dia a dia e viagens em família.  

    A transformação da jornada do cliente

    A Ford investiu fortemente na experiência do consumidor, transformando sua abordagem para um modelo digital e altamente personalizado.

    Com o uso de inteligência artificial e CRM avançado, a marca segmenta a comunicação, cria interações personalizadas e mantém um relacionamento contínuo com os clientes, em vez de contatos esporádicos baseados apenas na compra.  

    Além disso, a Ford implementou inovações como conectividade gratuita nos veículos, monitoramento preventivo inteligente e serviços online, como agendamento de revisões, garantindo uma experiência pós-venda eficiente.

    Isso fortalece a fidelização e constrói uma relação de longo prazo com os consumidores do agronegócio, um público historicamente mais leal do que o urbano.  

    Eventos e experiências para engajamento

    Para fortalecer sua presença e aumentar a conexão emocional com o público agro, a Ford intensificou sua participação em feiras agrícolas, como a Agrishow e a Expointer, onde a Ranger conquistou liderança em diversas regiões estratégicas.

    Além disso, ela promove experiências imersivas, como expedições off-road, permitindo que clientes testem os veículos em condições reais de uso.  

    Essas ações criam um engajamento genuíno e fortalecem o posicionamento da Ford como uma marca que entende e atende às demandas do agronegócio.  

    E quais são os principais desafios do marketing no agronegócio?

    Segmentação do público: o setor agro tem um público diversificado, desde pequenos produtores até grandes empresas.  

    Acesso digital: apesar do avanço tecnológico, ainda há regiões rurais com dificuldade de acesso à internet, o que limita estratégias online.  

    Ciclo de vendas longo: muitos produtos do agro têm sazonalidade e alto valor de investimento, tornando o processo de decisão mais demorado.  

    Desconhecimento do consumidor urbano: há um distanciamento entre o público urbano e o agronegócio, exigindo esforços de comunicação para melhorar a imagem do setor.  

    Regulamentações: questões ambientais e sanitárias impactam campanhas e exigem cuidados na comunicação.

    Conclusão

    O marketing no agronegócio evoluiu para um modelo cada vez mais estratégico, orientado a dados e focado na construção de relações de longo prazo. Marcas como Jacto, Basf e Ford demonstram que a inovação e a proximidade com o público agro são diferenciais competitivos essenciais.

    Um homem segura um tablet e está agachado sob uma plantação, fazendo anotações.

    Apesar dos desafios, o setor tem se beneficiado do digital, do uso de tecnologia e de abordagens omnichannel para engajar produtores e consumidores. Imagem: Reprodução/ iStock

    O sucesso das empresas que atuam nesse mercado está na combinação entre tradição e modernidade, unindo credibilidade, personalização e experiências imersivas para fortalecer a conexão com seus clientes.

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