O que é ESG, e porque ele é importante para a sua empresa

Entenda o que é ESG (governança ambiental, social e corporativa) e como essas três letras têm modificado o futuro das empresas, dos consumidores e investidores.

Luiza Telexa

em 27 de setembro de 2022

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    O que é ESG?

    ESG, é uma sigla em inglês, que diz respeito à governança ambiental, social e corporativa.  São três pilares de práticas que vêm sendo tomados por empresas do mundo todo, visando adotar medidas mais sustentáveis de consumo. Apenas três letras e um significado muito grande. 

    Nesta imagem podemos ver 9 blocos de madeira com slogans referentes ao tema: sustentabilidade, sendo que me 3 desses bolocos temos a sigla ESG talhada.

    Mais do que uma sigla, a série de medidas está atrelada a cada um dos significados das letras.

    O E significa environmental, na tradução, ambiental e faz referência às medidas adotadas por uma empresa para a preservação do meio ambiente. Como a preocupação em minimizar a emissão de carbono, reduzir o uso de resíduos não biodegradáveis, diminuir o desmatamento, proteger a biodiversidade, ampliar o uso de fontes renováveis e estar aberto às discussões em torno das mudanças climáticas.

    O S de social faz jus ao impacto que essa empresa causa na comunidade em que está inserida, garantindo os direitos humanos e trabalhistas de seus colaboradores, praticando a inclusão e a diversidade em seu quadro de funcionários, oferecendo um ambiente seguro e confortável para o exercício de suas funções e incentivando a qualificação profissional.

    Já o G significa governance ou governança, e diz respeito às leis trabalhistas que compõem as diretrizes de uma empresa, a uma gestão inclusiva e transparente, a uma prática anticorrupção no ambiente de trabalho, que se estabelece desde os fornecedores e investidores até a remuneração dos executivos.

    A sigla está ganhando cada vez mais notoriedade, chegando até mesmo a se tornar, equivocadamente, sinônimo de sustentabilidade.

    No Brasil, o ESG passou a crescer consideravelmente há pouco tempo. Foi durante a pandemia que os termos de buscas pelo conceito estouraram, chegando a triplicar em 2021, alcançando um crescimento de 150%.

    Acredita-se que essa crescente tenha sido impulsionada pela tomada de consciência da sociedade de que todo o mundo atravessava um momento difícil, e se algo prejudica um país que está do outro lado do mundo, essa mazela pode chegar até aqui.

    Relevância do ESG para as marcas e negócios

    A água que bebemos, usamos para tomar banho, lavar roupa, fabricar tecidos e uma infinidade de ações, não é um recurso renovável. O ar que respiramos e os alimentos que consumimos provém da natureza, e são recursos que se encontram cada vez mais ameaçados devido à ação antrópica.

    Quanto mais CO2 é liberado na atmosfera, mais alta se torna a temperatura do planeta. Quanto mais queimamos combustíveis fósseis, mais contribuímos para a poluição do globo. E toda essa destruição traz sérios riscos à vida humana.

    Fatores que contribuem para uma queda na qualidade de vida, pois se os alimentos se tornam escassos, os preços tendem a subir, e se o bem-estar físico é ferido, problemas sociais surgem.

    O setor industrial é um dos principais responsáveis pela emissão de dióxido de carbono na atmosfera, porém suas atividades são essenciais para manter nosso modo de vida. Se por um lado ele não pode parar, do outro, os agravantes do efeito estufa precisam ser freados, surge então a necessidade de mudar essa cadeia e adotar medidas mais sustentáveis.

    Nesta imagem podemos ver uma indústria liberando dióxido de carbono na atmosfera, uma prática contrária a de empresas ESG.

    Repensar a forma como você se desloca, fazer uso de pneus verdes, reciclar o lixo, consumir com consciência e diminuir a matriz de combustíveis fósseis ao optar por fontes renováveis são alternativas para reduzir o imapcto do dióxido de carbono na atmosfera. Imagem: Reprodução/ IStock

    Fatores que já fizeram as empresas entenderem que precisam transformar o ciclo de seus negócios. 83% dos líderes executivos acreditam que programas do tipo vão resultar em maiores rendimentos para acionistas em cinco anos. Ou seja, os acionistas já perceberam que a importância das empresas para a sociedade está diretamente relacionada à relevância que elas possuem para o todo.

    Nós sabemos que as empresas não podem resolver todos os problemas socioambientais que existem, até porque essa é uma tarefa de todos nós, mas o que muitas marcas já entenderam é que a partir do momento que elas se posicionam dessa maneira, se tornam muito mais relevantes e se conectam com muito mais facilidade com seu público.

    Relevância do ESG para o consumidor

    52% das pessoas pagariam a mais por produtos sustentáveis, de acordo com o estudo “Moda e Inclusão” da MindMiners. Mais do que comunicar, é preciso abraçar a causa. Antes da compra de qualquer produto, o consumidor quer ver transparência, conscientização, informação e conectividade. 

    Ao longo de toda a jornada de compra, que muitas vezes pode levar meses e até anos, deixe claro quais são os seus valores, como funciona a sua cadeia produtiva, quais são as suas iniciativas voltadas para a comunidade e os colaboradores. E, por fim, reforçamos: seja transparente!

    Algumas marcas já caíram na cilada do greenwashing (vamos ler sobre a seguir) e com certeza, não recomendam.

    Nesta imagem podemos ver uma mulher morena com um celular na mão. Ao mover o carrinho de compras pelo mercado ela provavelmente está pensando no que irá comprar. Comprar com consciência tem movido o cliente hoje, essa é uma vantagem de comprar com base em propósitos ESGs.

    Os consumidores passaram a se mover a partir de um senso de propósito, em que eles estão dispostos a adotar novos comportamentos para reduzir os impactos ambientais, sociais e contribuir para um planeta melhor. Imagem: Reprodução/ IStock

    Cases de sucesso de marcas ESG

    Patagonia

    Se tem uma marca que mostrou como é possível ser uma empresa sustentável e lucrativa, é a Patagonia. A marca norte-americana de roupas e sapatos foi fundada em 1973, conta com lojas em mais de 10 países e leva muito a sério seu propósito.

    Recentemente, a empresa transferiu todos os seus lucros, cerca de US$ 3 bilhões, para entidades que combatem as mudanças do clima. Essa ação reflete os valores adotados pela Patagonia, o de uma empresa que se preocupa com a preservação do planeta Terra, colocados por eles como “o único acionista da marca”.

    A marca já havia captado a atenção do mundo todo por conta de outro posicionamento, dessa vez na Black Friday de 2011, quando pediu aos consumidores que não comprassem jaquetas. Com essa campanha anticonsumo, na época, a empresa faturou cerca de US$ 500 milhões.

     

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    “Se tivermos alguma esperança de um planeta próspero – muito menos um negócio – será necessário que todos façamos o que pudermos com os recursos que temos. Isto é o que podemos fazer.” Essa é uma frase da carta aberta para o público, escrita pelo dono da empresa, Yvon Chouinard.

    Você pode conferir a carta na íntegra aqui.

    Natura

    A Natura, uma das principais marcas do ramo de beleza do Brasil, está há mais de 50 anos no mercado e constantemente reitera seu compromisso em “gerar impacto positivo”.

    Além de seu compromisso com a sustentabilidade do planeta, fazendo uso de embalagens 100% recicláveis, como o plástico verde e produtos de origem vegetal, a empresa também está envolvida em iniciativas sociais, como o Natura Musical, patrocínio da marca voltada para projetos musicais, o Instituto Natura, que foi fundado em 2010 e visa melhorar a educação pública e o Movimento Natura, onde os consumidores podem se engajar em projetos socioambientais.

    SAP

    Outra marca que implementou uma estratégia sólida de ESG é a SAP, empresa alemã e uma das maiores empresas do mundo no desenvolvimento de softwares.

    A SAP Brasil, braço da multinacional no país, foi a primeira subsidiária do grupo a lançar um Relatório de Sustentabilidade com foco nos resultados locais. A empresa adotou uma metodologia baseada em “três zeros”: zero em emissões de carbono, zero desperdício e zero desigualdade.

    Com os aspectos mapeados no relatório ficou mais fácil visualizar e entender onde eles haviam melhorado: visando atingir a paridade de gênero, mais mulheres foram contratadas e consequentemente o número de líderes do sexo feminino aumentou na empresa. Aumentou também, a contratação de pessoas autodeclaradas pretas ou pardas, com incentivo à formação.

    Além disso, a empresa compensou a emissão de gás de sua frota neutralizando mais de 693 toneladas de gás. Uma das metas da SAP Brasil é tornar a operação de suas frotas livres de carbono até 2023.

     

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    Greenwashing, uma prática anti ESG

    O greenwashing é a prática de vender um discurso que não se traduz em ações ou resultados reais. Essa é uma medida anti ética adotada por muitas marcas para aproveitarem o timing da tendência e figurarem entre os holofotes, quando na realidade a execução de suas políticas revelam justamente o contrário.

    Fique atento as marcas que se apropriam de um discurso ESG, mas que na prática se distanciam muito dessa realidade. Imagem: Reprodução/ IStock

    É sempre importante lembrar que ESG não se trata de uma questão de marketing. Sustentabilidade não é publicidade, é uma responsabilidade, onde lidamos com problemas atuais e tão presentes que pedem por soluções concretas e prudentes.

    Quando surgiu o termo ESG?

    A expressão foi usada pela primeira vez em 2004, por Kofi Annan, ex-secretário da ONU em um relatório produzido pelo Pacto Global em parceria com o Banco Mundial, ambos, pertencentes à Organização das Nações Unidas, com o objetivo de apelar para CEOs de 50 grandes organizações financeiras para que elas passassem a adotar parâmetros mais conscientes em relação à responsabilidade sustentável que carregam.

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