
em 20 de janeiro de 2026
Nos últimos anos, algo mudou no imaginário global: o Brasil começou a ser visto não apenas como um país exótico, mas como um símbolo de autenticidade, criatividade e estilo de vida desejável, valores que, no marketing contemporâneo, são a nova expressão de luxo.
Isso acontece porque o luxo deixou de ser só um objeto caro; tornou-se experiência, identidade cultural e narrativa emocional, algo que redes sociais como Instagram e TikTok amplificam com enorme velocidade.
Redes sociais: o novo “palco” do luxo
Plataformas como Instagram e TikTok revolucionaram a forma como marcas e culturas se conectam com o público.

Elas não apenas exibem produtos, mas constroem histórias visuais e sensoriais, fundamentais para a ideia de luxo moderno. Imagem: Reprodução/Canva
No Brasil, o marketing de influência e a presença digital das marcas se tornaram centrais nas estratégias de comunicação.
Uma pesquisa recente mostra que o Instagram continua sendo a principal plataforma para parcerias com criadores de conteúdo, com quase 90% das marcas planejando aumentar presença lá em 2025.
O TikTok, por sua vez, impulsiona conteúdo criativo e virais, especialmente entre públicos mais jovens.
Além disso, estudos revelam que cerca de 80% dos consumidores compram produtos sugeridos por influenciadores, e que a credibilidade desses criadores é muitas vezes maior do que a da própria marca.
Marcas brasileiras e globais estão aprendendo a usar as redes sociais de formas inovadoras para conquistar consumidores. Alguns pontos centrais de marketing digital que ajudam a entender esse movimento:
1. Conteúdo nativo às plataformas
Não adianta apenas replicar campanhas de mídia tradicional no TikTok ou Instagram. O conteúdo precisa parecer orgânico, divertido e culturalmente relevante para as redes sociais.
Trends, sons e formatos próprios do TikTok podem impulsionar uma marca a milhões de visualizações, quando feitos da maneira certa.
Um bom exemplo global foi a campanha da Burberry com o desafio #TBChallenge, que gerou dezenas de milhões de views ao convidar usuários a participarem de uma criação coletiva de conteúdo.

Quando a marca entende a lógica da plataforma, o público deixa de apenas assistir e passa a participar. A #TBChallenge mostrou como criar junto com a comunidade pode transformar alcance em conversa e relevância real no TikTok. Imagem: Divulgação/TikTok
2. Aproximação com comunidades e micro/nano influencers
Embora grandes influenciadores tenham visibilidade massiva, marcas brasileiras estão investindo também em micro e nano influencers, perfis menores, mas com engajamento mais autêntico e segmentado.
Esses influenciadores têm taxas de engajamento mais altas no TikTok e Instagram e ajudam a construir conexão emocional com nichos específicos.
3. Participação ativa em trends
Desafios de dança, músicas virais, memes e trends culturais podem impulsionar produtos e marcas nas redes sociais.
Quando uma marca participa ou cria um desafio relacionado a sua personalidade, ela transforma consumidores em co-criadores de conteúdo, uma das formas mais poderosas de viralização hoje.
4. Storytelling autêntico
Consumidores modernos, especialmente Gen Z e Millennials, rejeitam publicidade explícita e valorizam histórias reais, humanas e culturalmente significativas.
Marcas que conseguem contar sua narrativa, suas origens, processo de produção, impacto social, conectam-se de maneira mais profunda com seu público.
Uma campanha de moda artesanal brasileira, por exemplo, não vende apenas uma peça; vende um conjunto de valores, identidade e tradição.
Quando celebridades internacionais veem e usam marcas brasileiras, como Justin Bieber com uma jaqueta da FARM Rio, isso não é apenas uma curiosidade de moda; é um sinal forte de validação cultural internacional.
Ver essa foto no Instagram
Em tempos em que o conteúdo visual domina decisões de consumo, aparições como essa se espalham globalmente via Instagram e TikTok, dando às marcas brasileiras uma exposição que antigamente só seria possível com publicações pagas ou grandes editoriais.
Essa visibilidade cria uma espécie de ciclo de desejo: quanto mais brasileiros e estrangeiros veem produtos nacionais usados por pessoas influentes nas redes sociais, mais essas marcas se consolidam como símbolos de um luxo moderno, emocional e acessível, ainda que aspiracional.
Aqui estão algumas estratégias que marcas usam para crescer nas redes sociais hoje:
TikTok-first content
· Foco em humor, trends e sons populares;
· Criação de hashtags;
· Parcerias com criadores para conteúdo.
Instagram como vitrine e comunidade
· Uso de Reels e Stories para mostrar backstage, produção e lifestyle;
· Colaboração com fotógrafos e diretores criativos para fortalecer narrativa visual;
· Relacionamento direto com audiência (respostas em comentários, lives, Q&A).
Influência somada à UGC (User Generated Content)
· Incentivar clientes a postarem com produtos da marca;
· Repostar conteúdos de usuários;
· Campanhas que transformam clientes em embaixadores espontâneos.
Ser brasileiro é considerado novo luxo porque nossas marcas conseguem unir identidade cultural, criatividade visual e engajamento emocional de maneira que ressoa tanto internamente quanto no exterior.

Dua Lipa durante sua última passagem no Brasil. Foto: Reprodução/Instagram
Redes como TikTok e Instagram ampliam essa percepção ao transformar experiências culturais em conteúdos virais, transformando o Brasil em algo desejado e valorizado não apenas por preço, mas por significado.
Para marcas que entendem esse jogo, o marketing digital não é apenas um canal de vendas, é uma ferramenta central de construção de valor, comunidade e desejo.
E nada mais alinhado com os novos valores do consumo global do que isso.