
em 17 de julho de 2026
Ao levar em consideração as diferenças entre os mercados globais, é possível identificar a cultura como um fator decisivo para a indústria.
Presente no mercado desde 1992, a VML publicou, pela segunda vez, o relatório The Future 100: LATAM, uma análise do consumo com foco na América Latina.
O objetivo principal do estudo foi mapear e reunir dados do Brasil, da Argentina, da Colômbia e do México para compreender como estes países estão reestruturando o comércio e os modos de consumo.

A expressão de orgulho da identidade latina exemplifica o fator decisivo da cultura nos novos modos de consumo. Imagem: Reprodução/GIPHY.
Como panorama geral, o relatório comparou o custo de vida, o mal-estar social e cultural, a pressão decorrente das crises atuais e o nível de otimismo entre os latinos.
Em relação ao custo de vida, as finanças estão cada vez mais apertadas e sob pressão.
Entre os entrevistados, pelo menos 40% dos latinos tiveram de cortar gastos antes considerados essenciais.
Entretanto, a América Latina, apesar de seus desafios econômicos e tecnológicos, supera países desenvolvidos e ganha destaque ao ser a região mais otimista do mundo.
Como um motivador para o cenário presente e futuro, o otimismo se torna uma ferramenta de resiliência e uma escolha consciente para encarnar o mundo atual e transformar o modo como vivemos e consumimos.

“Vamos manter um pouco de otimismo aqui.” Imagem: Reprodução/GIPHY.
Enquanto o minimalismo, a estética ‘Old Money’ e as ‘Clean Girls’ ainda recebem uma parcela da atenção dos gringos, a América Latina se prepara para uma renovação criativa global.
Criado a partir de tudo o que é real, em excesso e caótico, o Entropismo surge como uma macrotendência, com o objetivo de retomar a sensibilidade latino-americana.
Em contraposição ao fluxo ocidental, os latinos passam a atrelar a desordem visual à criatividade, tornando a autenticidade parte de sua identidade cultural.
O que antes era considerado underground, visto como incômodo e estranho, agora se torna mainstream e popular.
Tornando-se muito mais do que apenas uma fonte de inspiração, o latino agora cria coragem para consolidar sua rica cultura por meio da música, de filmes, da moda e da arte.

Ícones globais materializam a força da cultura latina, transformando o caos e a autenticidade urbana em uma renovação criativa. Imagem: Reprodução/GIPHY.
Nessa altura do campeonato, fica cada vez mais difícil encontrar alguém que nunca tenha usado, pelo menos uma vez, alguma das milhares de inteligências artificiais já existentes.
Entretanto, seria um erro acreditar que todos os usuários possuem os mesmos mecanismos e modelos de linguagem, certo?
Apesar de serem treinadas com datasets multilíngues, a interpretação de expressões idiomáticas, provérbios e definições culturais por esses agentes ainda é limitada.
Pensando nisso, universitários e pesquisadores estão desenvolvendo o ‘Latam-GPT’ e o ‘Duolingo Indígena’, como meios de preservação de línguas nativas em risco de extinção.
Os novos agentes, ao combinarem tecnologia e gamificação à linguagem, consolidam-se como uma ferramenta identitária e sociopolítica para os latinos e para o mercado.

“Explosão latina!” Imagem: Reprodução/GIPHY.
Diante da interdependência de problemas e desafios, e de um custo de vida cada vez mais alto, o consumidor atual está à procura do conforto emocional e de uma dopamina imediata.
Pensando nesse deslocamento, o fenômeno Treatonomics ganhou destaque entre os latinos ao explicar como pequenos prazeres ou “micro-luxos” ganham força em tempos de crise.
Ao compreender essa mudança, a indústria passa a considerar o sentimento de nostalgia um ativo importante para as marcas, com o objetivo de retomar e preservar memórias e tradições.
Além das figuras colecionáveis, o resgate de ingredientes ancestrais, tradições e receitas locais também se tornou frequente como um ativo cultural e sensorial na América Latina.
Como um refúgio, a nostalgia carrega o sentimento de segurança e conforto que o cenário atual afasta.

“Como vão vocês, jovens?” Imagem: Reprodução/GIPHY.
O futuro que já nasce conectado
Pensando no futuro, a dúvida que fica é sobre aqueles que ainda estão chegando: a Geração Beta, nascidos entre 2025 e 2038.
A partir de uma infância nativa e imersa em inteligências artificiais, questiona-se se essa geração realmente terá condições de prosperar, ou se apenas estará sobrevivendo.
Apesar da preocupação, a Geração Z e os Millennials confiam que agentes de IA ainda serão capazes de ajudar a resolver desafios globais, como as mudanças climáticas e o câncer.
A confiança das últimas gerações se transforma em protagonismo, impulsionada por uma visão mais otimista e por novos modelos de ensino, voltados para um futuro mais humano e digital.
Contudo, é possível enxergar como a América Latina não está apenas aguardando pelo dia de amanhã, mas está reescrevendo as regras de seu próprio jogo.

Com a atitude de quem já nasce conectado, a Geração Beta reflete o otimismo e a resiliência latina diante dos desafios tecnológicos e humanos do futuro.