Cannes Lions: a Copa do Mundo da criatividade

Cannes Lions aconteceu mais uma vez na França, e você precisa ver tudo o que rolou no maior evento de comunicação.

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    Reconhecido como o maior evento de criatividade do mundo, a 73ª edição do Cannes Lions aconteceu e deixou claros os focos e prioridades da indústria atual.

    Diante de um contexto imerso em informações e tecnologias, a premiação chegou com novos critérios de participação, tornando o processo ainda mais rigoroso e exigente.

    A mudança nas regras foi em razão do episódio que ocorreu na edição do ano passado, em que uma das agências premiadas teve de devolver 12 Leões por falta de legitimidade.

    (complicado, né?)

    Dois personagens da série The Office, Kevin Malone e Oscar Martinez, sentados lado a lado com expressões de choque e reprovação, ilustrando a reação às novas regras e controvérsias no Cannes Lions.

    “Você está de brincadeira comigo?” Imagem: Reprodução/Giphy.

    O objetivo do Cannes Lions 2026 foi diferente: premiar as marcas que realmente buscam resolver um problema, seja melhorar a comunicação entre amigos ou, até mesmo, a promoção de um problema estrutural. 

    Para esse ano, ao inscrever-se na premiação, foi necessário passar pelo crivo do ‘proof of impact’, ou comprovação do impacto

    Agora, para realmente estar entre os competidores, é preciso ter todos os documentos e fontes que legitimem a execução e as informações fornecidas no momento de envio, e que validem os alcances. 

    Mesmo com uma queda de 25% nas inscrições, o evento deixou em evidência o retorno da criatividade como pilar central e diferencial estratégico na indústria atual.

    Uma imagem do Mestre Yoda, da saga Star Wars, com a legenda sobreposta em texto branco: 'MAY THE CREATIVITY BE WITH YOU'. O fundo é escuro e esfumaçado, evocando o universo Star Wars.

    “Que a criatividade esteja com você. ” Reprodução: Imagem/Tenor.

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    Após a edição, o evento também acabou deixando indícios de que o setor publicitário não está mais na mesma página que muitas agências ainda estão. 

    A publicidade, que nos últimos anos persistiu na ideia de ‘perseguir’ os usuários, agora retoma a uma posição de capturar atenção do usuário e de entretê-lo.

    Mas além da publicidade, o Cannes Lions também compreendeu que a estratégia tem sido baseada em dados e estatísticas associadas a um posicionamento de impacto e autenticidade.

    Cannes como a Copa do Mundo de criação 

    O Brasil já é penta no futebol e vem dando muita esperança para se tornar hexacampeão, e no setor criativo, seu triunfo não fica para trás.

    Apesar de uma queda de 41% nas inscrições, o Brasil encerrou a edição como a terceira potência mais premiada, conquistando 62 prêmios.

    Além dos famosos Leões, os jurados também premiaram o Grand Prix (GP), dedicado ao melhor trabalho de cada categoria.

    Até então, era comum que marcas menores ganhassem mais destaque. Já neste ano, o pódio brasileiro foi ocupado por grandes marcas da indústria. 

    Ao final dos cinco dias de evento, as agências retornaram ao país conquistando três Grand Prix para a publicidade brasileira.

    Meme adaptado com duas mulheres comemorando com palmas e risadas, sobre um fundo sutil de bandeiras do Brasil e logos do Cannes Lions.

    A publicidade brasileira comemora a conquista histórica de 3 Grand Prix no festival de Cannes Lions. Reprodução: Imagem/Tenor.

    O estádio que virou um QR Code

    Com uma ação que foi muito além de uma campanha publicitária, a agência GUT subiu ao palco logo na primeira noite do festival para receber seu quarto Grand Prix.

    Após adquirir os naming rights do estádio Pacaembu, o Mercado Livre bolou uma jogada de marketing inédita para anunciar a parceria.

    Durante uma partida entre o Corinthians Legends e o Boca Juniors Legends, enquanto a bola rolava de um lado para o outro, o público prestava atenção em outra coisa: o gramado.

    Integrando o campo a uma experiência ao vivo, aconteceu, pela primeira vez na história, uma partida de futebol em cima de um código de barras (literalmente).

    Com uma pintura de 104 metros de largura e um campo escaneável que desbloqueava cupons de desconto no Mercado Livre, a agência conquistou o prêmio de Outdoor com o case “Cupom em Campo.

    Do chat direto para a mesa de bar

    À medida que se tornou cada vez mais difícil desconectar-se do meio digital, a agência LePub São Paulo e Milão decidiu impactar do lado de fora das telas.

    Com a campanha “Podia ser uma Heineken”, Heineken alcançou o primeiro lugar do ranking de Social & Creator de Cannes.

    Diante das mudanças no comportamento do consumidor, os parceiros entenderam que agora o foco é criar experiências reais e gerar conexão (ou reconexão).

    Segundo dados da Meta, o Brasil é o país que mais encaminha áudios no mundo. Mas e se ao invés de encaminhar áudios entre si, os usuários se encaminhassem juntos até o bar?

    Pensando nisso, a marca resolveu falar direto com o usuário.

    Através do chatbot da Heineken, o usuário que enviasse um áudio com mais de três minutos e a marca de ‘encaminhado’, ganhava um voucher para uma cerveja em um bar parceiro.

    Por meio de diferentes formatos de OOH, a campanha provocou os usuários a substituírem os áudios longos por conversas presenciais, garantindo o segundo Grand Prix do Brasil.

    Mão segurando um smartphone que exibe uma conversa no WhatsApp com o chatbot da Heineken Brasil, mostrando um áudio encaminhado de mais de 4 minutos e uma figurinha com a frase 'Podia ser uma Heineken', com fundo de pessoas em um bar.

    A campanha da Heineken foi uma das ações vencedoras do Grand Prix em Cannes Lions. Reprodução: Imagem/Heineken.

    A criatividade quando capaz de salvar vidas 

    Sendo a única campanha brasileira vencedora de dois Grand Prix em anos distintos, a agência Artplan retornou aos palcos mais uma vez.

    Como uma ferramenta de educação médica, o projeto “Nigrum Corpus da IDOMED com o Instituto Yduqs, promove equidade e representatividade no setor da saúde.

    Pelo segundo ano consecutivo, a campanha abordou o racismo estrutural na medicina, e transformou dados em uma narrativa relevante e criativa.

    A campanha ganha mais destaque ainda após receber o prêmio Grand Prix de Glass: The Lion for Changeo primeiro do país na categoria.

    O case promoveu a criatividade brasileira como uma ferramenta poderosa e de impacto, capaz de gerar mudanças sistêmicas e de redefinir o futuro da medicina.

    Menos efeito, e mais impacto 

    Em meio à ‘era da utilidade‘, o Cannes Lions de 2026 evidenciou o cenário atual do mercado publicitário: não basta fazer bonito se não tiver impacto.

    Como um pilar estratégico essencial, a criatividade se torna capaz de gerar resultados reais e diferenças significativas na sociedade.

    Após garantir 62 Leões, o Brasil retornou para casa com a certeza de que o pilar criativo, quando aliada ao propósito e consistência, pode ser a maior vantagem competitiva de uma marca.

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