As convergências entre gerações: no consumo, idade é só um número

Hoje, para engajar com diferentes gerações, as marcas precisam focar na diversidade de anúncios e no contexto de cada consumidor.

Clara de Mattos

em 24 de julho de 2026

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    Dos Baby Boomers à Geração Z, são perceptíveis algumas diferenças que influenciam o modo como as gerações estabelecem seus meios de consumo.

    Devido às inúmeras mudanças diárias do mercado, as marcas têm observado as divergências entre gerações como um fator influente para acompanhar as necessidades do momento.

    No entanto, segundo dados da Meta, as marcas agora se adaptam a outro fator influente: as gerações estão convergindo.

    Duas jovens conversando em uma cena com a frase "Gen Z is gonna change the world!", representando o impacto da Geração Z e de outras gerações no mercado.

    Apesar do destaque da Geração Z, a convergência entre gerações tem moldado novas dinâmicas de consumo no mercado. Imagem: Reprodução/GIPHY.

    Ao comparar as motivações e preferências nos aplicativos da Meta entre os Gen Z e os Boomers, a diferença é quase nula, somando apenas 4%.

    Isso significa que, a partir de agora, o diferencial geracional deixa de ser considerado um foco para as marcas, o que reflete um novo tipo de comportamento entre as gerações: o transversal

    Elenco do filme High School Musical dançando em um ginásio com a legenda "We're all in this together!", ilustrando a semelhança de hábitos digitais entre as gerações.

    Com apenas 4% de diferença nas preferências digitais, o comportamento entre as gerações passa a ser transversal. “Estamos todos juntos nessa.” Imagem: Reprodução/Tenor.

    O fim das “caixas” etárias entre gerações

    Inicialmente, o mercado separava seus grupos de foco por idade, os quais, com o passar do tempo, também foram separados por segmentos

    O papel das marcas era pautado em um fluxo de oferta e venda, que residia no campo objetivo e racional. Agora, a proposta é deslocar-se a um campo subjetivo e intencional.

    Após grandes influenciadores serem substituídos pelos microinfluenciadores, o mercado passou a compreender a necessidade de não apenas escutar seu consumidor, mas de reconhecê-lo.

    A artista Pabllo Vittar olhando para a câmera com a legenda "VOCÊ JÁ TÁ PREPARADA?", simbolizando o questionamento sobre a prontidão das empresas para se conectarem com as diferentes gerações.

    Prepare a sua marca para ir além do “feed aesthetic” e gerar identificação real com os momentos de transição das gerações. Imagem: Reprodução/Tenor.

    Ou seja, além de entender sobre ROI, impacto e métricas, as marcas também precisam saber como gerar identificação enquanto se mantêm relevantes no meio inserido.

    Diferente do que era a segmentação por idade, as gerações estão filtrando suas buscas por conteúdos, perfis e marcas que se aproximam de suas fases de transição da vida.

    Seja para um gen z ou um boomer, contextos específicos como formatura, casamento ou mudança de casa nova, podem aumentar a intenção de compra em até 26%.

    Isso significa que, para o consumidor de hoje, apenas um feed aesthetic não é mais o bastante se a marca não compreende e, principalmente, acolhe os ciclos de seus consumidores.

    Homem de touca e fones de ouvido com a legenda "Tô ficando velho mesmo", representando a identificação com as fases de transição e ciclos entre diferentes gerações.

    Mais do que a idade, são as mudanças de fase que aproximam as gerações e impulsionam as intenções de compra no cenário atual. Reprodução/Tenor.

    A era da busca visual e descentralizada 

    Em meio à era da relevância personalizada, o usuário busca por aquilo que o representa suas expectativas ao rolar o feed: uma curadoria de suas principais paixões atuais.

    Além do prejuízo pelo alto volume de investimentos em canais de mídia , a Meta identificou que o usuário até aceita um ‘bis’ de uma coisa ou outra, mas se for para ser sempre do mesmo, o ghosting é inevitável.

    E o problema aqui não é sobre a frequência do impacto, mas a sua monotonia.

    Mulher negra de tranças conversando para a câmera em um ambiente aconchegante com fotos penduradas ao fundo, representando a criação de conteúdo e a busca social entre diferentes gerações.

    A busca visual e o conteúdo autêntico transformaram o ‘scroll’ como a principal ferramenta de descoberta e decisão para diferentes gerações. Imagem: Reprodução/Tenor.

    O ‘scroll‘ é o novo carrinho de compras

    O mercado recebe cerca de 52% usuários que afirmam aceitar receber versões diferentes de um mesmo anúncio, porém rejeitam a repetição excessiva.

    A jornada de compra, até então vista como um funil de vendas linear, é transformada em um amplo ecossistema de influência e descoberta visual,.

    Enquanto desliza a tela com o intuito de encontrar toda a sua ‘vida dos sonhos’ no feed, o consumidor assume suas redes sociais como maior e principal ferramenta de busca e confiança. 

    Animação de uma pessoa deitada na cama de pijama em um quarto ilustrado, observando um notebook ligado ao lado, representando o hábito de navegar e buscar referências nas redes.

    Aquela sensação de achar o produto perfeito no feed: o ‘scroll’ virou ferramenta de descoberta e decisão para todas as gerações. Imagem: Reprodução/Tenor.

    Além de 85% da Geração Z descobrir novos produtos diretamente através das redes, a credibilidade entre conteúdos também ganha destaque quando comparado com outras publicidades.

    Ao integrar busca tradicional, focada em utilidade, à busca social, motivada por uma influência, a confiança do consumidor é impactada em, pelo menos, 65%. 

    O ‘scroll’, antes visto apenas como entretenimento, agora revoluciona o mercado global ao se tornar uma ferramenta de decisão, rastreamento e aprendizado.

    A cantora Beyoncé sorrindo entusiasmada enquanto mexe em um dispositivo portátil, representando a descoberta visual de novos produtos e conteúdos pelas gerações.

    A sensação de achar o produto perfeito no feed: o ‘scroll’ virou a principal ferramenta de descoberta e decisão de compra para as gerações. Imagem: Reprodução/Tenor.

    Os novos códigos para ser relevante

    Além dos pilares que entram em foco, essa reconfiguração marca a mudança de um consumo que passa a ser guiado também pela inspiração visual.

    Para alcançar o sucesso nesse novo ecossistema, as marcas não dependem mais de rótulos etários, mas de uma presença confiável e fundamentada.

    Mulher gesticulando com as mãos abertas com a legenda "É O SEGREDO DO SUCESSO", ilustrando a estratégia de relevância das marcas para diferentes gerações.

    O “segredo do sucesso” para ser relevante entre as gerações está na criação de demandas reais e conexão com os momentos de vida. Imagem: Reprodução/Tenor.

    A estratégia deixa de ser apenas capturar demanda e passa a ser criá-la, gerando um crescimento real ao alcançar públicos que a publicidade tradicional isolada não atinge.

    Para as marcas, sua relevância surge quando a comunicação se conecta de forma genuína com os contextos, preferências e momentos de transição da vida.

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